17.6.13

Bratislava entrevista: CARLA LACORTE

Holga fala sobre a importância de fazermos registros das coisas que vivemos, seja uma viagem, um acontecimento, um show ou, simplesmente, o nosso dia-a-dia. Pra ampliar a discussão, a banda preparou uma série de entrevistas com pessoas que registram a vida de diferentes maneiras.


A Carla é amiga de infância do Victor e do Alexandre, da época em que moravam em Campo Grande - MS. Hoje ela mora em Hortolândia, mas dá quase pra dizer que ela mora no mundo todo!

Bratislava – Por que registrar? O que te move a fazer as fotos, registrar os momentos?

CARLA LACORTE - Porque quero repartir o momento que estou vivendo nas minhas viagens com outras pessoas. Quem sabe motivar outros a também viajar. Outro motivo é que as fotos e também os vídeos deixam registrados momentos que viram lembranças depois.

Bratislava - Você conseguiria fazer uma viagem, como um mochilão de 30 dias, por exemplo, sem tirar uma fotinho sequer? Como seria essa experiência? E como seria se lembrar dessa viagem depois de 10 anos? Será que se lembraria de tudo o que aconteceu nela?

CARLA - De jeito nenhum. Sentiria um vazio. Já aconteceu uma situação comigo em um dia de viagem. Vi uma das coisas mais lindas que já vi na vida e não estava com a máquina para registrar aquele momento. Até tento descrevê-lo para amigos, mas todos dizem que não imaginam como foi essa paisagem que eu vi. As fotos são lembranças, elas trazem lembranças pra mim. Às vezes vejo alguma foto que tirei em uma de minhas viagens e me lembro de momentos que tive lá. Momentos que talvez não lembraria se não tivesse visto a foto, detalhes...

Bratislava - Você tem o costume de rever as fotos que fez, folhear álbuns (sejam digitais ou físicos), curtir ficar se lembrando do que aconteceu? As memórias te deixam mais feliz ou mais triste e saudosa?

CARLA - Sempre tenho esses momentos nostálgicos. Fico revendo as fotos e álbuns. Sinto bastante saudade, é uma mistura de sentimentos. Fico feliz por ter vivido esses momentos em viagens e ao mesmo tempo meio triste, pela saudade, pela vontade de voltar no tempo. Mas quando revejo minhas fotos sinto mais vontade de ir viajar de novo e descobrir novos lugares, conhecer novas pessoas e culturas.

Não viu o clipe ainda? Veja aqui o clipe de HOLGA.

13.6.13

Bratislava entrevista: JULIA BAC

Holga fala sobre a importância de fazermos registros das coisas que vivemos, seja uma viagem, um acontecimento, um show ou, simplesmente, o nosso dia-a-dia. Pra ampliar a discussão, a banda preparou uma série de entrevistas com pessoas que registram a vida de diferentes maneiras.


Julia Bac é autora da obra Os Dias, que será lançada no dia 6 de julho. A obra é uma série de pequenas anotações com gostinho de poesia, inspiradas pelos primeiros dias de sua experiência na Holanda, onde fez mestrado em Arte e Patrimônio. Os textos contam os preparos para a viagem, a vivência na cidade de Maastricht, o medo do inverno, a experiência do rompimento de um longo relacionamento, as viagens para outros países, novas amizades e a mudança para Amsterdã.

Bratislava – Por que registrar? Qual é a importância desse exercício pra você?

JULIA – Mais que registrar, primeiro eu descobri o gosto pela escrita. Eu ainda não sabia que estava registrando algo. Quando eu era pequena, acho que eu tinha uns 10 anos, a minha tia me deu um diário e disse que seria bacana eu ler quando fosse mais velha. Ela sempre me mostrava fotos antigas da minha família e eu adorava ver isso tudo... Depois descobri que o diário que ela me deu não foi o meu primeiro, mas mesmo assim foi um momento que eu lembro e gosto bastante de lembrar, porque é o momento em que, na minha memória, eu comecei a escrever.

Bratislava – O que te moveu a escrever e registrar os momentos? O que te inspira? O que faz com que você tenha vontade de escrever?

JULIA – Pois é, escrever faz parte do meu dia. Às vezes eu estou sentada no ônibus e escuto alguém falando uma palavra que parece interessante, aí começo a escrever alguma coisa. Mas nesse momento ainda escrevo “mentalmente”. Por isso gosto de carregar um caderninho sempre comigo, porque preciso colocar rápido no papel. Mas eu acho que o que me motiva a escrever é gostar de contar histórias. Por isso, fico atenta às pequenas coisinhas que acontecem ao meu redor: um montinho de poeira voando e entrando pela janela de um carro, o movimento das folhas ainda presas às árvores, a luz laranja do pôr do sol projetando a sombra de um objeto na parede... todas essas coisas são tão bonitas que me dão vontade de escrever!

Bratislava – Por que escolheu a escrita como meio de registrar esses momentos? Você acha que acessá-los depois de um tempo sem os ler será como folhear um álbum de fotos antigas suas?

JULIA – Ler o que escrevi tempos atrás me faz sentir-me muito mais calma. Eu adoro ler meus diários e ver que o que na época parecia ter uma importância imensa, mas depois acaba se esvoaçando pelo ar e eu nem lembro mais. Outros momentos que eu guardo na escrita são lindos e me dão vontade de ler e reler muitas e muitas vezes, principalmente os dias de quando eu estou viajando e vejo um lugar que eu só conhecia nos livros de história.

Bratislava – Por fim, o que iremos encontrar na leitura do seu livro “Os Dias”? Conta um pouco sobre ele.

JULIA – Na verdade, quem me estimulou a organizar esse livro foi um amigo. Ele disse que tinha lido meu blog e achava que eu tinha um material bacana. Aí fiquei com vontade mesmo de organizar um livro. Mas, como posto meus textos no blog desde 2009, achei que seria interessante escolher os textos do período em que preparei a viagem para a Holanda e dos primeiros anos em que morei lá, até o ano passado, que foi a minha primeira vinda ao Brasil. Acho que é um livro muito pessoal, mas que, ao mesmo tempo, outras pessoas podem se identificar com ele. Pelo menos é isso que eu procuro nos livros que escolho para ler.


10.6.13

Clipe de HOLGA



Sabe aquela sensação estranha que rola quando você visita lugares onde esteve quando era criança, casas ou parques quase apagados da memória derramando um turbilhão de sentimentos gostosos na gente? Foi nesse feeling que Holga nasceu. A canção questiona: aquela sua memória de infância é uma memória real ou uma criação do imaginário a partir de fotos e outros registros? Quando você viaja, como você lida com as experiências vividas? Vive sem medo de esquecê-las ou procura registrar, tirar fotos, fazer vídeos? Se os registros enganam tanto a nossa memória, deixar de registrar seria uma maneira de preservar uma lembrança livre de ilusões? Ou leva ao esquecimento inevitável?

Dirigido por Erick Donate e Augusto Carmo na cidade de Curitiba-PR.

21.5.13

Trip pra Minas Gerais!


Chegamos hoje da nossa viagem pra Minas Gerais, muito felizes e satisfeitos com a empreitada. Sábado fizemos a gig com a parceria d' A fase rosa no CCCP em Belo Horizonte, noite cheia e gostosa. Depois do pernoite, rumamos para a Casa Fora do Eixo Juiz de Fora, pra celebrar os 3 anos do Cineclube Bordel Sem Paredes. A apresentação rolou em clima caseiro e aconchegante, transbordando energia boa.

Sobretudo, queremos dizer que ficamos muito sensibilizados com a hospitalidade e camaradagem dos amigos mineiros, que nos abrigaram e nos receberam com alegria, simpatia e amizade. Fica aqui o nosso sincero agradecimento como uma evidência de que nossas portas em terras paulistanas sempre estarão abertas.

Obrigado, gente! Continuamos espalhando energia boa pelo mundo!

8.3.13

Eles são feitos de carne, de Terry Bisson

O texto original foi publicado em 1990, e pode ser lido aqui. Essa é uma tradução livre feita por Victor Meira.


- Eles são feitos de carne.
- Carne?
- Carne. São feitos de carne.
- Carne??
- Pois é. Colhemos várias amostras em diferentes partes do planeta, trouxemos para nossas naves de reconhecimento e fizemos todos os testes. Eles são todos de carne. 
- Impossível. E os sinais de rádio, as mensagens para as estrelas?
- Eles se comunicam por meio de ondas de rádio, mas os sinais não vêm deles. Os sinais vêm de máquinas.
- E quem faz as máquinas? É com esses que devemos estabelecer contato.
- Eles fazem as máquinas. É o que eu tô tentando te dizer. Carne que faz máquina.
- Isso é ridículo. Como carne pode fazer máquinas? Você tá me pedindo para acreditar em carne sensível.
- Não tô pedindo, tô te dizendo. Essas criaturas são a única raça sensível naquele setor, e eles são feitos de carne.
- Talvez sejam como os orfolei, sabe? Um tipo de ser inteligente feito de carbono, que passa por um estágio em que são carne. 
- Não. Eles nascem de carne e morrem de carne. A gente os estudou durante vidas inteiras, o que na verdade nem é tanto tempo assim. Aliás, sabe qual é o tempo de vida da carne? 
- Nem quero saber. Pode ser que só uma parte deles seja de carne. Cê sabe, que nem os weddilei. Uma cabeça de carne com um cérebro de plasma de elétrons dentro. 
- Não. Cogitamos isso, já que eles realmente tem cabeça de carne, como os weddilei. Mas é o que eu disse, fizemos todos os testes. Eles são feitos inteiramente de carne.
- E não têm cérebro?
- Pior que têm. E pasme: o cérebro deles também é feito de carne! É o que eu tô tentando te dizer.
- Mas… como isso funciona? Como eles pensam?
- Você não tá entendendo, né? Tá se negando a sacar o que eu tô te dizendo. O cérebro deles pensa. A carne. 
- Carne que pensa! Você tá me pedindo pra acreditar em carne que pensa!
- Sim, carne que pensa! Carne consciente! Carne que ama. Carne que sonha. Carne que faz tudo! Tá começando a se ligar ou vou ter que explicar de novo?
- Deus do céu. Cê não tá de brincadeira. Eles são mesmo feitos de carne.
- Ufa! Até que em fim! Sim. Eles são, de fato, feitos de carne. E têm tentado nos contactar já faz mais de cem anos.
- Caramba. E o que é que essa carne quer?
- Primeiramente eles querem falar conosco. Depois eu acho que eles vão querer explorar o Universo, entrar em contato com outros seres sensíveis, trocar conhecimentos e idéias. O de sempre.
- E a gente vai ter que falar com pedaços de carne. 
- É, pois é. Essa é a mensagem que eles estão enviando pelo rádio. "Olá. Tem alguém aí? Tem alguém em casa?". Esse tipo de coisa.
- Então eles realmente falam. E usam palavras, ideias, conceitos? 
- Ah, sim. Fazem tudo isso com carne.
- Mas você falou que faziam pelo rádio.
- Sim, mas o que que você acha que é o som do rádio? Som de carne. Sabe quando você bate dois pedaços de carne, o barulho que faz? Eles falam desse jeito, batendo partes diferentes de carne umas contra as outras. Eles até cantam, pressionando o ar dentro das carnes.
- Cacete! Carne sue canta. Isso é demais pra mim. E o que acha que devemos fazer?
- Quer minha opinião oficial ou informal?
- Ambas.
- Oficialmente temos que fazer contato, dar as boas vindas a toda e qualquer raça sensível nesse quadrante do Universo, sem preconceito, medo ou qualquer tipo de favorecimento. Agora, informalmente eu acho que a gente deveria apagar os registros e esquecer toda essa história.
- Pode crer, era o que eu esperava ouvir.
- Pode parecer duro, mas temos que ter limites. Queremos mesmo fazer contato com carne?
- Concordo cem porcento. Imagine a conversa: "Olá, carne, como vai?". Nem sei se ia dar certo. Aliás, de quantos planetas estamos falando mesmo?
- Só um. Eles conseguem viajar pra outros planetas em suas naves, mas não conseguem habitar nenhum, só o deles. E, por serem de carne, eles só conseguem viajar pelo espaço C, o que os limita à velocidade da luz e reduz quase a zero as chances de fazerem algum contato.
- Então a gente pode fingir que não tem ninguém no Universo.
- Exato.
- Cruel. Mas é como você disse, quem quer conhecer carne? Ah, e os que estiveram a bordo das nossas naves, os que foram testados? Cê tem certeza de que eles não vão lembrar?
- Vão achar que eles são uns crackeiros se começarem a falar muita coisa. A gente abriu a cabeça deles e mexeu na carne de modo que eles vão pensar que foi tudo um sonho.
- Sonho de carne! É estranhamente plausível que sejamos apenas sonho de carne. 
- E aí a gente marca esse setor inteiro como desocupado.
- Ótimo. De acordo, oficial e informalmente. Por mim, caso encerrado. Algum outro? Algo interessante pra esses lados da galáxia?
- Ah, sim, tem uma raça inteligente um tanto tímida feita de núcleos de hidrogênio numa estrela de classe nove, na zona G445. Fizeram contato há duas rotações galácticas, querem retomar agora.
- Essa gente vive tentando fazer contato.
- E por que não? Imagine o quão insuportável, o quão absurdamente frio seria o Universo se alguém descobrisse que não há mais ninguém nele. 

20.2.13

Clipe de CARNE



CARNE é o segundo clipe e faixa-tema do disco homônimo, e por isso carrega consigo muito da essência do disco em suas ondas elétricas de rock instrumental. É uma espécie de epicentro da ópera, onde o verbo - a voz, o som - se faz carne, a idéia ganha substância e vira matéria, mostrando o aspecto divino da criação. Dentro do contexto do disco, o protagonista de CARNE reflete sobre sua humanidade e se sente parte daquilo que observa – um grande pedaço de carne ambulante em unidade com a música, amalgamado. Carne que faz música.

Dirigido por Aron Matschulat Aguiar.